Continuous Discovery Habits de Teresa Torres: Priorizar Oportunidades e Brainstoriming de Soluções - Key Points da Leitura dos Capítulos 7 e 8
Introdução
Este artigo vem na sequência dos artigos anteriores:
1 – Continuous Discovery Habits de Teresa Torres: O que Significa Realmente Descobrir Produtos – Key Points da Leitura dos Capítulos 1 e 2
2 – Continuous Discovery Habits de Teresa Torres: Onde o Negócio e o Comportamento do Utilizador se Cruzam – Key Points da Leitura dos Capítulos 3 e 4
3 – Continuous Discovery Habits de Teresa Torres: Histórias das Pessoas que se Traduzem em Mapeamento de Oportunidades – Key Points da Leitura dos Capítulos 5 e 6
Nestes capítulos a Teresa torres aborda o tema de o que fazemos com todas as oportunidades que mapeámos? Se nos capítulos anteriores aprendemos a estruturar o caos na Opportunity Solution Tree (OST), os capítulos 7 e 8 focam-se em tomar decisões e em não deixar a criatividade morrer no “brainstorming” tradicional.
Muitas equipas saltam logo para o desenvolvimento, ou seja focam-se na solução de imediato e isso por vezes pode prejudicar-nos porque ao sermos rápidos, podemos não entregar com o valor que o cliente espera e, consequentemente, prejudicar o negócio no curto, médio ou longo prazo.
Então, com tantas Oportunidades que emergiram da OPS, é exigido algum discernimento de parte das equipas e pensar na melhor forma de priorizá-las e não desenvolver de imediato a solução para a Oportunidade Alvo mais simples ou a solução mais complexa ou apenas a solução que achamos que vai ser melhor, por nossa opinião.
Mas o facto de termos de priorizar não invalida nem deve mesmo invalidar que só nos devemos concentrar numa única Oportunidade Alvo. Significa que nos devemos concentrar numa Oportunidade alvo (não solução) Oportunidade Alvo de cada vez. Assim, garantimos que o processo seja mesmo progressivo e iterativo.
Existem imensas frameworks para priorização, por exemplo através da Matriz de Impacto x Esforço. Aquele que a Teresa Torres menciona no seu livro avalia quatro fatores:
Tamanho da Oportunidade: Quantos utilizadores são afetados e com que frequência?
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- Fatores de Mercado: Como é que isto nos diferencia da concorrência?
- Fatores da Empresa: Como é que isto se alinha com a nossa visão?
- Fatores do Cliente: Qual é a importância desta dor para o utilizador?
Exemplo prático na MediFlow
Temos várias oportunidades no mapa, como “Os pacientes esquecem-se de pagar” ou “O administrativo tem receio de cobrar”. Em vez de tentarmos resolver tudo, o Trio de Produto avalia que “Pacientes que saem apressados para evitar filas” afeta 70% das clínicas. Esta torna-se a nossa oportunidade alvo.

Ideação: Quantidade gera Qualidade
No Capítulo 8, entramos no espaço das Soluções. O Key Point a reter é que é que as nossas primeiras ideias são raramente as melhores. Portanto, a recomendação é ao iniciarmos uma sessão de brainstorming, fugirmos do brainstorming de grupo tradicional, que muitas vezes leva ao “pensamento de grupo” e à censura de ideias originais. Em vez disso, o Trio e/ou os membros envolvidos devem:
- Gerar ideias individualmente: Cada membro cria as suas soluções sozinho primeiro
- Partilhar e combinar: Só depois se cruzam as visões para criar soluções mais robustas em grupo
- Evitar a fixação: Não nos devemos apaixonar por uma solução antes de a testarmos contra outras
Exemplo prático na MediFlow
Na MediFlow, por exemplo e para a oportunidade de evitar filas, o Trio poderia ter não desenhado apenas um “botão de SMS”. Podem surgir ideias como: QR codes nos gabinetes médicos, quiosques de self-checkout ou pagamentos automáticos via geofencing quando o paciente sai da clínica.
Conclusão
Tantas e tantas vezes que acontece, e já assisti e assisto a equipas a perderem meses em soluções (às vezes até mesmo no desenvolvimento do produto final) “fantásticas” para problemas que, no final, eram insignificantes ou não eram de tudo o problema do cliente.
Na prática, o Capítulo 7 dá-nos a permissão para dizer “não” a 90% dos problemas para podermos ser excelentes nos 10% que realmente importam.
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Este artigo faz parte da minha jornada de leitura partilhada do livro Continuous Discovery Habits de Teresa Torres. O próximo artigo será sobre os Capítulos 9 e 10
