Introdução
No final do ano de 2025, decidi iniciar o desafio de ler 15 minutos por dia livros que tenho a meio e outros que queria ler. É o caso do Continuous Discovery Habits da Teresa Torres. E estava longe de imaginar que o livro celebra este ano o seu quinto aniversário e que nesse âmbito a autora iria lançar a iniciativa “Let’s Read Continuous Discovery Habits Together”, decidi partilhar aquilo que para mim serão os pontos-chave dos dois primeiros capítulos.
Para tentar tornar o artigo mais prático, ao longo desta série de artigos, acrescentei um exemplo: a MediFlow, uma plataforma para clínicas de saúde. O desafio deles? As clínicas perdem muito dinheiro com faltas de pacientes e demora nos reembolsos das seguradoras.
O Que é (e o que não é) Discovery?
O primeiro grande takeaway é fazer a distinção entre Discovery e Delivery:
• Discovery: Ações que desenvolvemos para o que vamos desenvolver.
• Delivery: Ações que desenvolvemos para construir, lançar e fazer crescer o produto.
O erro comum é tratar o Discovery como uma fase inicial de um projeto (fazer 10 entrevistas e nunca mais falar com clientes). Segundo a Teresa Torres, o Discovery Contínuo exige:
• Pontos de contacto semanais com clientes
• Realizados pela equipa que constrói o produto (o Trio)
• Foco num Outcome (resultado) desejado e não num Output (Feature)
Na MediFlow, em vez de apenas “lançar um sistema de faturação”, a equipa fala semanalmente com gestores de clínicas para perceber por que razão os pagamentos atrasam.
O Trio de Produto: A Base de Tudo
O Discovery é liderado por aquilo que a Teresa Torres e outros autores como Marty Cagan designam de Trio de Produto (Product Manager, Product Designer e Engenheiro de Desenvolvimento). Talvez não necessariamente com esta nomenclatura, mas a ideia é que nesse trio exista um Product Manager, alguém de Design, e alguém de Desenvolvimento. Particularmente, não concordo com esta estrutura e até acho que a mesma possa estar desatualizada em 2026. Pelo menos em termos de competências de cada uma deles está certamente, com o crescimento que a IA tem tido.
Bom, mas a ideia é que estas três funções tenham responsabilidades, entre outras, de colaborem desde o início para avaliar os riscos de qualquer ideia:
1. Desejabilidade: Os pacientes querem pagar online?
2. Viabilidade: O modelo de negócio da clínica suporta taxas de transação?
3. Exequibilidade: Conseguimos integrar com o software das seguradoras?
4. Usabilidade: O administrativo da clínica consegue usar a interface sem erros?
5. Ética: Os dados de saúde estão protegidos?
Pensando no exemplo da MediFlow (a plataforma SaaS para clínicas) às funções e responsabilidades do Trio de Produto, precisamos de alinhar as competências técnicas de cada um dos membros do Trio com os desafios reais de uma clínica.
No nosso exemplo da MediFlow, as responsabilidades podem dividir-se da seguinte forma:
• O PM (Product Manager): Garante que o modelo de gestão de reembolsos e cobranças é viável para o negócio da MediFlow e gera valor financeiro real para as clínicas
• O Designer: Testa se os diferentes tipos de clientes, como os administrativos das clínicas consegue utilizar a interface de pagamentos de forma intuitiva, mesmo num ambiente de recepção agitado e com constantes interrupções (usabilidade)
• O Engenheiro: Avalia se a integração técnica com os sistemas das diferentes seguradoras para permitir o processamento imediato de faturas é exequível e segura
A Opportunity Solution Tree (OST)
No Capítulo 2, a Teresa Torres apresenta-nos o seu modelo OST – Opportunity Solution Tree, uma ferramenta visual para alinhar o “o quê” com o “porquê”.
Exemplo prático na MediFlow:
• Outcome (Negócio): Reduzir em 20% o tempo médio de recebimento de pagamentos por parte das clínicas
• Opportunity Space (Necessidades): “Os pacientes esquecem-se de pagar a fatura após a consulta”
• Solution Space (Ideias): Pagamento automático via Apple Pay/Google Pay ou links de pagamento por SMS
• Assumption Tests: Antes de programar, o trio testa se os pacientes clicariam num link de SMS enviado logo após a consulta
Mentalidades Necessárias nas Pessoas e Consequentemente nas Empresas
Para que estes hábitos funcionem, precisamos de cultivar mentalidades como o Foco no Resultado, a Colaboração (este é dos mos motivos pelos quais acredito que as equipas não podem ser só o Trio, mas também não devem ser 8, 9 ou 10 elementos) e a Experimentação (estar preparado para estar errado. Ou melhor estar preparado para aprender algo, mesmo que dê errado).
Próximos Capítulos
O próximo artigo, vai apresentar aquilo que reti da leitura do livro sobre como podemos definir os Outcomes sem cair na armadilha de focarmo-nos apenas em funcionalidades. Mas podem já dar uma vista de olhos nalguns artigos que escrevi sobre Outcomes
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Este artigo faz parte da minha jornada de leitura partilhada do livro Continuous Discovery Habits de Teresa Torres. O próximo artigo será sobre os Capítulos 3 e 4
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